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Esquel e Toxisphera estabelecem cooperação para lidar com a poluição por plásticos

Segundo o PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, diariamente “ o equivalente a 2.000 caminhões de lixo cheios de plástico são despejados nos oceanos, rios e lagos do mundo” o que evidencia que a “ poluição por plástico é um problema global”, sendo que anualmente cerca de “ 19 a 23 milhões de toneladas de resíduos plásticos vazam para os ecossistemas aquáticos, poluindo lagos, rios e mares” . Para essa agência da ONU “a humanidade produz mais de 430 milhões de toneladas de plástico por ano, dos quais dois terços são produtos de curta duração que rapidamente se transformam em resíduo” com graves impactos para a vida selvagem, os ecossistemas, a saúde humana e a economia global.

Para lidar com a poluição por plásticos, a Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em sua quinta sessão (UNEA 5), em 2022, tomou a decisão de estabelecer um Comitê Internacional de Negociação (INC) para se chegar a um tratado global , com obrigações vinculantes, alicerçado “em uma abordagem abrangente que aborde todo o ciclo de vida do plástico, incluindo sua produção, design e descarte”.

Os desafios de se obter um tratado global dessa abrangência requer condições de transparência e governança, por um lado, e políticas públicas e medidas em cada país, por outro, para reduzir a poluição e a dependência da produção de plásticos. Para lidar com esses desafios a Associação Toxisphera de Saúde Ambiental e a Fundação Esquel, firmaram termo de cooperação para execução de atividades e serviços de pesquisa, elaboração de textos, participação em reuniões e eventos, entre outros, com temas relacionados aos posicionamentos alinhamento da posição na negociação do tratado global. No âmbito dessa cooperação, Esquel e Toxisphera também estarão engajadas no acompanhamento e implementação de políticas públicas nacionais consistentes com um tratado abrangente, ambicioso e apropriado para lidar, de modo eficaz, com a poluição e a cadeia produtiva dos plásticos.

Em uma primeira fase, a cooperação Toxisphera e Esquel, realizará a divulgação de informações e de estudos sobre o tema e o diálogo com tomadores de decisões nos Poderes Executivo e Legislativo. As duas organizações também planejam incidir, de forma articulada com redes e organizações da sociedade civil, junto aos negociadores do tratado internacional.

Essa cooperação é potencializada pela colaboração entre Esquel e Toxisphera desde 2023 no âmbito da CONASQ – Comissão Nacional de Segurança Química, na qual as duas organizações compõem (até março de 2026) a representação, junto com a ACPO – Associação de Combate à Poluição, de organizações da sociedade civil do segmento em defesa do ambiente.

Para Zuleica Nycz, diretora da Toxisphera, ex-conselheira do Conama e integrante da Conasq, “os objetivos da cooperação também buscam ampliar a conscientização sobre a necessidade de mudanças em relação à produção e uso de plásticos, encontrando medidas de inovações e práticas que não sejam limitadas às perspectivas de economia circular e de gestão de resíduos”.

Para Rubens Born, representante da Esquel na Conasq, “a cooperação será relevante para que mais organizações da sociedade, membros e agentes públicos de todos os Poderes da República, possam ter as informações apropriadas para o enfrentamento da poluição, que ao lado da crise climática e da degradação da biodiversidade, compõem o quadro da tripla crise ambiental global”. Born destaca também que “é preciso articular as políticas e planos nacionais nesses temas, pois o Plano Clima Brasil, atualizado em 2025, considera que o Brasil terá aumento de emissões de gases de efeito estufaem razão do aumento do uso de energia e produção nos segmentos de plásticos e de petroquímica ao longo da próxima década, o que é contraditório com medidas para cumprir adequadamente o Acordo de Paris”.

Saiu na mídia: Fundação Grupo Esquel Brasil e Toxisphera debatem Tratado Global de Plásticos

Saiu na mídia

A Agência Câmara de Notícias publicou reportagem sobre o debate realizado pela Frente Parlamentar Ambientalista, Fundação Grupo Esquel Brasil e Associação Toxisphera de Saúde Ambiental, na Câmara dos Deputados, a respeito dos desafios para um acordo global de controle da poluição por plásticos.

A matéria aborda as dificuldades nas negociações internacionais, os impactos dos plásticos na saúde e na biodiversidade e a necessidade de avançar em medidas de redução, regulação e reciclagem.

O tema reforça a urgência de enfrentar a crise da poluição plástica e de fortalecer políticas públicas e a cooperação internacional para reduzir seus impactos socioambientais.

Acesse a reportagem completa no site da Câmara dos Deputados.

 

Aliança Cidadã por uma América Latina sem Poluição

Organizações da sociedade civil da Argentina, Brasil e Uruguai lançaram a Aliança Cidadã por uma América Latina sem Poluição na Reunião Regional do SAICM, em Montevidéu, nos dias 6 e 7 de maio de 2022. O propósito da reunião foi fortalecer a participação da sociedade civil na governança do SAICM, visando proteger o meio ambiente e a saúde pública na região.
O núcleo inicial da Aliança é formado pelas organizações fundadoras, Taller Ecologista (Argentina), Associação Toxisphera (Brasil) e Centro Interdisciplinario de Estudios sobre el Desarrollo – CIEDUR (Uruguai), que também divulgaram relatórios sobre políticas e desafios relacionados ao SAICM, com recomendações para melhorar a gestão adequada de produtos químicos. Os relatórios nacionais e regionais, resultado de pesquisas em 2021, estão disponíveis em vários idiomas.
A Aliança tem como objetivo assegurar uma gestão transparente, eficaz, e substâncias químicas produtos químicos e resíduos, e fortemente baseada na ciência e em direitos, Nesse sentido, a Aliança dos Cidadãos para um Ambiente Livre de Tóxicos na América Latina visa inicialmente ampliar o envolvimento de grupos da sociedade civil na governança democrática da SAICM e sua implementação na região.

Relatório (Informes) sobre políticas, arranjos institucionais e os desafios relacionados ao SAICM

Informes nacionais e regional sobre políticas, arranjos institucionais e os desafios relacionados ao SAICM

 

Relatório (Informes) sobre políticas, arranjos institucionais e os desafios relacionados ao SAICM em seus países e na região, com algumas recomendações para superar os obstáculos e as lacunas na implementação do gerenciamento integrado e ambientalmente correto de substâncias químicas.

Os relatórios nacionais e regionais, resultados da pesquisa realizada em 2021, estão disponíveis em vários idiomas.

Informe – Relatório – regionalINFORME REGIONAL_PT_072022

Informe – relatório: BrasilINFORME_BRASIL_PT_072022

Informe: Uruguai INFORME_URUGUAI_SP_072022

Informe : ArgentinaINFORME_ARGENTINA_SP_072022

Breve panorama da história da Toxisphera

Ao longo dos anos recentes, Toxisphera tem se dedicado ao advocacy de direitos fundamentais ao meio ambiente saudável e equilibrado mediante participação em instâncias nacionais (Comissão Nacional de Segurança Química – CONASQ; Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA) e processos internacionais relativos às negociações das convenções químicas (Estocolmo, Minamata, Roterdã, Basiléia) e SAICM, em parceria com outras ONGs brasileiras, como ACPO – Associação de Combate aos Poluentes/Santos/SP e APROMAC Associação de Proteção ao Meio Ambiente/Cianorte/PR. Também participa de redes e alianças de organizações da sociedade civil, nacionais e internacionais. Com apoio do Fundo Casa elaborou quatro representações ao MPF sobre emissões irregulares de mercúrio em plantas de cloro-álcalis. Executou diversos projetos no Brasil com apoio de ZMWG Zero Mercury Working Group, e IPEN International Pollution Elimination Network.

Toxisphera participou, como representante do FBOMS – Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, da CONASQ – Comissão Nacional de Segurança Química, criada em 2000, e extinta pelo governo do presidente Bolsonaro.  Entre as suas competências, a CONASQ acompanhou a negociação, a ratificação e a implementação de tratados químicos internacionais e era composta por 22 instituições do setor público, privado e de organizações não-governamentais, incluindo a CUT (Confederação Única dos Trabalhores). Do ponto de vista de transparência, governança e diálogo sobre políticas públicas, a CONASQ era um mecanismo atuante de articulação multisetorial para a promoção da gestão adequada das substâncias químicas no Brasil.

Por ser integrante da CONASQ, a Toxisphera participou do Grupo de Trabalho “Regulação de Substâncias Químicas”, em processo que contou com 16 reuniões, além de consulta pública entre 30 de junho e 28 de setembro de 2016, e diversas reuniões, para avaliar os resultados dessa consulta pública, e elaborar um anteprojeto de lei para o Controle das Substâncias Químicas no Brasil. O anteprojeto ainda não foi aprovado, mas tem recebido apoio de representantes do setor da indústria química, de ambientalistas e de trabalhadores (por meio, respectivamente da ABIQUIM– Associação Brasileira de Indústria Química, de Toxisphera em nome do FBOMS – Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, e finalmente da CUT – Central Única dos Trabalhadores).

Entre os diversos projetos executados, menciona-se a coleta e análise de chumbo em tintas no Brasil; pareceres técnicos da Sociedade Civil para resoluções do CONAMA; pesquisas e relatórios sobre emissões e liberações de mercúrio, ações pelo banimento de produtos contendo mercúrio, e publicação do Regime Jurídico do Mercúrio no Brasil, contribuição ao relatório global sobre contrabando de agrotóxicos (SAICM), participação ativa nas negociações do tratado internacional do Mercúrio (Minamata) e respectivas Conferências das Partes, reuniões do SAICM, Convenção de Estocolmo, Basileia, Roterdã, e do processo intersessional do SAICM para 2030.

Por ocasião do Encontro Regional da América Latina e Caribe do Enfoque Estratégico Internacional para a Gestão das Substâncias Químicas (SAICM), realizado em Montevidéu, Uruguai, em maio de 2022, organizações da sociedade civil (OSCs) do Brasil, Argentina e Uruguai anunciaram a formação de uma aliança com o objetivo de proteger o meio ambiente e a saúde pública na América Latina, tendo como núcleo a TOXISPHERA (Brasil), Taller Ecologista (Argentina) e CIEDUR (Uruguai). A Aliança tem como objetivo zelar pela gestão transparente, eficaz, lastreada na ciência e em direitos fundamentais relacionados com as substâncias químicas e os resíduos.  A Aliança Cidadã por uma América Latina Sem Poluição quer, inicialmente, conhecer a situação do SAICM em cada país da região ampliar o engajamento de grupos da sociedade na governança democrática do SAICM e sua implementação na região. Para isso, sob a coordenação da TOXISPHERA, essas organizações realizaram, em 2021, pesquisas sobre o panorama e os desafios institucionais e legais da aplicação do SAICM no Brasil, Argentina e Uruguai. As pesquisas geraram Informes Nacionais sobre os panoramas institucionais e legais nesses três países, e um Relatório Síntese Regional, disponíveis em nossa biblioteca.

 

Sobre a Toxisphera

Toxisphera Associação de Saúde Ambiental é uma organização brasileira da sociedade civil, sem fins lucrativos, estabelecida em 2010. Nosso propósito principal é atuar na governança e transparência de políticas públicas e acordos multilaterais que tenham impactos na saúde humana e no meio ambiente. Nossas diretrizes incluem a qualificação e mobilização de grupos da sociedade, bem como a promoção de abordagens e medidas para sustentabilidade no desenvolvimento, com ênfase na ciência como base para uma gestão ambientalmente responsável de substâncias químicas e seus resíduos. Além disso, buscamos a conservação e recuperação de um ambiente ecologicamente equilibrado.

Com a missão de promover ambientes saudáveis e equilibrados, buscamos impactar a governança de instâncias multilaterais, políticas públicas e práticas empresariais. Isso visa aumentar o engajamento inclusivo de diversos setores, como movimentos sindicais, defensores do meio ambiente e dos direitos humanos, especialistas técnicos e jurídicos, assim como cientistas.

Redes e Alianças 

A Toxisphera possui parcerias e faz parte de diversas redes e alianças, tanto a nível global, como IPEN, GAIA, ZMWG, CLiC e Break Free From Plastic (BFFP), quanto no Brasil, sendo membro do FBOMS – Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para Desenvolvimento e Meio Ambiente, RBJA – Rede Brasileira de Justiça Ambiental, FONASCH, e outras iniciativas sociais e redes afins.

Programas da Toxisphera

A Toxisphera aborda suas atividades a partir de perspectivas programáticas, de longo prazo, considerando que os desafios do enfrentamento das várias e principais crises (climática, da perda da biodiversidade, da poluição ambiental, da desigualdade, da pobreza e da falta de informação à população) demandam enfoques articulados e abrangentes para que, a curto e a médio prazo, possam gerar transformações sistêmicas.